sábado, 12 de julho de 2008

O CANTO DOS CISNES

Sou um apaixonado pela história da Igreja Cristã. Embora não seja um erudito no assunto, gosto de ler a respeito de como a Igreja do Senhor Jesus viveu a vida no seu tempo. Uma das coisas que marca a vida de homens e mulheres que fizeram esta história é o sofrimento. Quando falo de sofrimento não me refiro ao sofrimento vindo da perseguição produzida por governos tiranos ou por outros grupos religiosos. Falo do sofrimento pessoal, tais como doenças físicas, aflições, doenças emocionais como a depressão, disputas de idéias, problemas familiares. Quando verifico esta história a paz do Senhor inunda o meu ser, pois estou em boa companhia. Em companhia de homens e mulheres vocacionados por Deus para viver a vida do Senhor Jesus aqui na terra e vejo que a Igreja atual também é formada por homens e mulheres que vivem estas circunstancias no seu dia a dia. Alguém chamou ao sofrimento dos cristãos do passado como o “canto dos cisnes” pois estes quando sofrem cantam ainda mais docemente.
Por que falar de sofrimento? A resposta é simples – porque sofremos. Isso não pode ser negado. O sofrimento é parte da vida. Faz parte do processo que Deus usa para nosso crescimento. Isto não significa que devemos buscar o sofrimento para obter algum tipo de benção ou a abundância da graça de Deus. Não, não é isto. Mas a graça de Deus se manifesta no meio deste período de sofrimento. É neste sofrimento que, de maneira figurada digo, Deus nos pega no colo e nos balança com o seu amor. O sofrimento é parte da vida cristã. Sofremos porque Deus permite isto. Negar o sofrimento é negar também o evangelho. Este evangelho nasceu no meio do sofrimento e isso está claro na vida de Jesus e dos apóstolos como também no escritos que estes deixaram.
Podemos citar alguns frutos do sofrimento:
 Fortalece a certeza que Deus é Soberano sobre todos
 Abre o entendimento para a vida cristã
 Fortalece a confiança nas promessas de Deus
 Mostra que ser cristão é andar contra o vento.

Que Deus nos ajude a descobrir mais e maiores bênçãos durante os períodos de sofrimento.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A "Graça Divina" Alienante

Diante da discussão que dia a dia se acirra em relaçao a "Manipulação de células tronco embrionárias" e que foi discutida e votada no STF, decidi ouvir a Professora Dra. Joyce Stein da UFMS para procurar um maior entendimento sobre a questão.
Diante do exposto e dos questionamentos após a palestra, e sobretudo da realidade histórica, mais uma vez pude constatar e confirmar que por muitos anos tem sido pregada uma alienante graça de Deus.
Mas o que é alienação? Vejamos duas definiçoes: Filosoficamente alienação é um processo ligado essencialmente à ação, à consciência e à situação dos homens, e pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que apareça o processo (e seus produtos) como indiferente, independente ou superior aos homens, seus criadores.Hegel ensinava que, era o processo essencial à consciência e pelo qual ao observador ingênuo o mundo parece constituído de coisas independentes umas das outras, e indiferentes à consciência .Destaco os termos que atualmente marcam a pregação e o ensino cristão-evangélico. Nas palavras de Jesus a pregaçao evangélica brasileira não soube ler "os sinais dos tempos". Essa é a mesma crítica que o Nazareno fez aos escribas e fariseus de sua época.
Se a pesquisa de embriões vem da decada de 50 e passa pelos avanços da ciência que desemboca na questão das células embrionárias, onde estava a igreja evangélica para orientar os seus membros ou seguidores nestas questões? Onde estavam os seminários denominacionais que não tratavam estas questões éticas? Por que a ética ficou limitada às questões de "usos e costumes", de "moralidade" e às questões políticas, questões estas de subserviência aos governos, especialmente se estes eram militares ou conservadores de direita?
Eu mesmo responderei: Pregando e ensinando a Graça de Deus com qualificaçoes alienantes. Uma pesquisa histórica desta época poderia comprovar nossas suspeitas, pois o protestantismo evangélico, diante das perguntas da vida concreta, tem apresentado respostas abstratas, desencorajadoras e antagônicas. Em seu discurso, diante da realidade social, a Igreja não sabe lidar com o sagrado e o social. Ela se dicotomiza em seu discurso, a Igreja sofre de uma ezquizofrenia da encarnação: cria um discurso anímico e trata exclusivamente da alma se tornando um fantasma social desencarnado. A graça divina se dilui num discurso metafísico que não faz diferença no contexto existencial. A marca deste discurso é a sua independência e indiferença diante dos fatos sociais e diante da humanidade da vida com suas questões existenciais.
Mas qual seria o por quê da independência e indeferença do discurso protestante evangélico diante dos fatos concretos? Diversas respostas podem ser alinhavadas: 1. Falta de uma reflexão interdisciplinar. O texto da revelação é idolatrado e não refletido. Sabemos que texto bíblico como revelaçao de vida é visto especialmente na encarnação da própria Palavra. O apóstolo João escreve "O Verbo se fez carne e armou a sua tenda entre nós". "Ser carne" no discurso protestante da reta doutrina, como o define Rubem Alves, é estar mancomunado ao pecado e ligado à imoralidade, à mentira, à sexualidade, etc.
2. Esquecimento do ensino do Mestre da Vida, Jesus; é que o poder ou "dunamis" está para servir ao homem. O sábado ou qualquer outra estrutura, segundo Jesus, foi criada para beneficiar o homem. Na busca da qualidade de vida, a mensagem e ensino cristão deve ser direcionado para a formação de uma vida de qualidade. Poder é para servir e não para oprimir, reprimir, acusar, condenar. Discursos assim negam a graça de Deus e ela se torna uma graça Divina alienante. Somente serve para ser lançada no fogo. Títulos, ofícios, status, nomeações devem estar a serviço das classes privilegiadas pela Bíblia, ou seja:os orfãos, as viuvas, os doentes, os estrangeiros(imigrantes das cidades)os pobres, etc.
3. Manutenção do status quo. A igreja evangélica brasileira deve lembrar que na sua origem estão as marcas dos martires e do seu sangue. Conceitos que critiquem ou auxiliem a mudar o status quo são considerados ensinos heréticos para o protestantismo evangelico contemporâneo. A igreja com seu discurso subserviente prefere manter o status quo mesmo que este seja nefasto, diabólico,opressor, negador da vida. O discurso da espera de um futuro melhor via intervençao divina torna a graça de Deus desqualificada. Esquece-se que aqueles que foram alcançados pela graça divina não foram chamados para se alienarem da vida, mas vivê-la em abundância.
A graca divina insere o homem na vida com os seus "pés no chão", com um coração apaixonado pela vida e com mãos que caminham implantando o Reino de Deus. Que o Eterno auxilie a sua igreja a REALMENTE ser SAL e LUZ do Mundo. É nosso dever negar a graça alienante que produz um discurso monótono, repetitivo e sem vida. Anunciar a graça do Sobernao Deus, o Totalmente Outro traz liberdade, ausência de conflitos, amor para servir e fuga do poder dominador.