Diante da discussão que dia a dia se acirra em relaçao a "Manipulação de células tronco embrionárias" e que foi discutida e votada no STF, decidi ouvir a Professora Dra. Joyce Stein da UFMS para procurar um maior entendimento sobre a questão.
Diante do exposto e dos questionamentos após a palestra, e sobretudo da realidade histórica, mais uma vez pude constatar e confirmar que por muitos anos tem sido pregada uma alienante graça de Deus.
Mas o que é alienação? Vejamos duas definiçoes: Filosoficamente alienação é um processo ligado essencialmente à ação, à consciência e à situação dos homens, e pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que apareça o processo (e seus produtos) como indiferente, independente ou superior aos homens, seus criadores.Hegel ensinava que, era o processo essencial à consciência e pelo qual ao observador ingênuo o mundo parece constituído de coisas
independentes umas das outras, e
indiferentes à consciência .Destaco os termos que atualmente marcam a pregação e o ensino cristão-evangélico. Nas palavras de Jesus a pregaçao evangélica brasileira não soube ler "os sinais dos tempos". Essa é a mesma crítica que o Nazareno fez aos escribas e fariseus de sua época.
Se a pesquisa de embriões vem da decada de 50 e passa pelos avanços da ciência que desemboca na questão das células embrionárias, onde estava a igreja evangélica para orientar os seus membros ou seguidores nestas questões? Onde estavam os seminários denominacionais que não tratavam estas questões éticas? Por que a ética ficou limitada às questões de "usos e costumes", de "moralidade" e às questões políticas, questões estas de subserviência aos governos, especialmente se estes eram militares ou conservadores de direita?
Eu mesmo responderei: Pregando e ensinando a Graça de Deus com qualificaçoes alienantes. Uma pesquisa histórica desta época poderia comprovar nossas suspeitas, pois o protestantismo evangélico, diante das perguntas da vida concreta, tem apresentado respostas abstratas, desencorajadoras e antagônicas. Em seu discurso, diante da realidade social, a Igreja não sabe lidar com o sagrado e o social. Ela se dicotomiza em seu discurso, a Igreja sofre de uma ezquizofrenia da encarnação: cria um discurso anímico e trata exclusivamente da alma se tornando um fantasma social desencarnado. A graça divina se dilui num discurso metafísico que não faz diferença no contexto existencial. A marca deste discurso é a sua independência e indiferença diante dos fatos sociais e diante da humanidade da vida com suas questões existenciais.
Mas qual seria o por quê da independência e indeferença do discurso protestante evangélico diante dos fatos concretos? Diversas respostas podem ser alinhavadas:
1. Falta de uma reflexão interdisciplinar. O texto da revelação é idolatrado e não refletido. Sabemos que texto bíblico como revelaçao de vida é visto especialmente na encarnação da própria Palavra. O apóstolo João escreve "O Verbo se fez carne e armou a sua tenda entre nós". "Ser carne" no discurso protestante da reta doutrina, como o define Rubem Alves, é estar mancomunado ao pecado e ligado à imoralidade, à mentira, à sexualidade, etc.
2. Esquecimento do ensino do Mestre da Vida, Jesus; é que o poder ou "dunamis" está para servir ao homem. O sábado ou qualquer outra estrutura, segundo Jesus, foi criada para beneficiar o homem. Na busca da qualidade de vida, a mensagem e ensino cristão deve ser direcionado para a formação de uma vida de qualidade. Poder é para servir e não para oprimir, reprimir, acusar, condenar. Discursos assim negam a graça de Deus e ela se torna uma graça Divina alienante. Somente serve para ser lançada no fogo. Títulos, ofícios, status, nomeações devem estar a serviço das classes privilegiadas pela Bíblia, ou seja:os orfãos, as viuvas, os doentes, os estrangeiros(imigrantes das cidades)os pobres, etc.
3.
Manutenção do status quo. A igreja evangélica brasileira deve lembrar que na sua origem estão as marcas dos martires e do seu sangue. Conceitos que critiquem ou auxiliem a mudar o status quo são considerados ensinos heréticos para o protestantismo evangelico contemporâneo. A igreja com seu discurso subserviente prefere manter o status quo mesmo que este seja nefasto, diabólico,opressor, negador da vida. O discurso da espera de um futuro melhor via intervençao divina torna a graça de Deus desqualificada. Esquece-se que aqueles que foram alcançados pela graça divina não foram chamados para se alienarem da vida, mas vivê-la em abundância.
A graca divina insere o homem na vida com os seus "pés no chão", com um coração apaixonado pela vida e com mãos que caminham implantando o Reino de Deus. Que o Eterno auxilie a sua igreja a REALMENTE ser SAL e LUZ do Mundo. É nosso dever negar a graça alienante que produz um discurso monótono, repetitivo e sem vida. Anunciar a graça do Sobernao Deus, o Totalmente Outro traz liberdade, ausência de conflitos, amor para servir e fuga do poder dominador.